O Rádio e eu

NO AR

Nunca fui de ouvir rádio. Honestamente. Essa “cultura” não fez parte da minha infância ou do restante da minha história. Lembranças que muitos compartilham, de parentes em casa ouvindo determinado radialista não ocuparam minha memória. Até então, a palavra “rádio”, em si, me remetia no máximo à figura do meu avô, há cerca de vinte anos atrás, embriagado, ouvindo Sérgio Reis – “panela velha é que faz comida boa” – enquanto me puxava pelos braços para dançar com ele.

Talvez por essa ausência de identificação, nunca me aprofundei muito em qualquer tipo de pesquisa a respeito. E para ser ainda mais honesta, nunca considerei de muita importância. Ao menos essa era minha visão até ingressar no curso técnico em Rádio e TV. Já no início, um breve estudo a respeito já ampliou meus horizontes a respeito desse importante meio de comunicação.

É sabido que “contra fatos não há argumentos”, e, avaliando dados coletados e estudados ao longo do curso ficou constatado o fato: Sim, as pessoas (os jovens, inclusive) ainda ouvem rádio. E inúmeros estudos surgem para corroborar tal fato e contribuir para minha mudança de opinião.

Aliás, não se trata nem sequer de opinião. É fato. Apesar da era globalizada em que vivemos, com explosões de informações, imagens, sons, estímulos de todos os lados; a rádio é um veículo de comunicação largamente utilizado e, portanto, de grande influência. É formadora de opinião. Nem o surgimento e apogeu da televisão, nem a atual era da internet e dos gadgets foi capaz de tirar dele sua força e importância.

Vamos aos fatos em si. Em pesquisa realizada pelos alunos do Curso Técnico em Rádio e TV do SENAC – SE, constatou-se que, das pessoas entrevistadas, 89% ouvem rádio com frequência ou esporadicamente, sendo que os meios favoritos de transmissão são o aparelho convencional de rádio e o celular, somadas 73% das pessoas.

E fato interessante é que apesar da maioria dos entrevistados terem respondido que preferem ouvir programação musical, quando questionados acerca do motivo da importância do rádio, a resposta quase unânime fazia referência à velocidade com que as notícias chegam até o ouvinte. A rapidez e a ampla divulgação de informações são fatores responsáveis por tornar as transmissões radiofônicas reconhecidas como um importante veículo de comunicação.

A mobilidade permitida por esse meio também é digno de nota. Boa parte dos entrevistados afirmou ouvir rádio enquanto está em trânsito. Seja caminhando, no carro, no ônibus, durante um trajeto qualquer, e principalmente através de aparelhos celulares, a rádio é amplamente acessada por pessoas que encontram-se em movimento. Tal aspecto pode também ser um fator chave para a sobrevivência da rádio, visto que poucos meios de comunicação permitem essa mobilidade.

Claro que nessa era de internet, e bombardeio de informações, a rádio tem a necessidade de passar por mudanças, se adaptar, a fim de prender a atenção de um ouvinte que se mostra cada vez menos fiel a um mesmo meio de comunicação e que é a todo momento rodeado de estímulos, sons, imagens, músicas, à sua disposição à qualquer momento. Entretanto, tal desafio vem sendo enfrentado, pelo visto, com êxito, pelas várias emissoras de rádio.

Enfim, com todos os dados e pesquisas realizadas, a conclusão é que o rádio está aí. “Vivo”. Influenciando e sendo influenciado. E, ao contrário do que eu mesma acreditava até então, ele vem sobrevivendo e crescendo em importância. Talvez seja esse o fenômeno denominado “mediamorfose”, em que um meio de comunicação surge a partir de outro e evolui independentemente, sem, todavia, extinguir a mídia anterior.

Hoje, com computador, internet, celular, aplicativos, downloads e tantos outros aparatos, a rádio continua sendo difundida e apreciada. Dos “tios” nos estádios com seus radinhos de pilha. Do meu avô, ouvindo “Sérgio Reis”, ao jovem estudante que ouve “Lady Gaga” ou “Polentinhas do Arrocha”, em seus fones de ouvido. Da senhora ouvindo a voz aveludada do radialista às programações interativas de entretenimento e humor, que trazem uma forma alternativa de propagar informação. De um lado a outro, no celular, computador ou rádio comum, a rádio segue ganhando ouvintes, força e demonstrando para novos e velhos adeptos sua real importância.

Por Lilian Sara

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